American Airlines anunciou neste sábado (29) que concluiu as atualizações de software em todos os 209 aviões da família A320 afetados por uma diretiva de emergência da Airbus. A medida, emitida na sexta-feira (28), visa corrigir uma falha nos controles de voo causada por radiação solar intensa. A companhia aérea americana espera normalizar as operações durante o feriado de Ação de Graças, com foco no domingo, dia de maior tráfego.
O problema surgiu após um incidente em outubro com um voo da JetBlue, que sofreu uma descida involuntária limitada. Investigadores identificaram corrupção de dados no computador de elevador e aileron (ELAC), afetando cerca de 6 mil aeronaves em serviço globalmente. A Airbus, em comunicado, destacou que equipes trabalham ininterruptamente para apoiar as operadoras.
A diretiva da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) e da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) exige a reversão para uma versão anterior do software antes do próximo voo comercial, com prazo até meia-noite de domingo (30). Aviões mais antigos podem precisar de substituição de hardware, o que estende o tempo de manutenção para até algumas horas por unidade.
- Impacto inicial: Milhares de passageiros afetados em cancelamentos e atrasos.
- Frota global: Mais de 11 mil A320 em operação, com 60% suscetíveis à falha.
- Causa técnica: Radiação solar corrompe dados críticos nos sistemas fly-by-wire.
Resolução rápida nos Estados Unidos
A American Airlines, maior operadora de A320 do mundo, ajustou a estimativa inicial de 340 para 209 aeronaves impactadas. Equipes técnicas completaram as atualizações até o meio-dia de sábado (12h CT), evitando interrupções maiores no hub de Dallas-Fort Worth.
United Airlines relatou seis aviões afetados e prevê disrupções mínimas em poucos voos. Delta Air Lines confirmou menos de 50 unidades da família A320neo envolvidas, com correções finalizadas até a manhã de sábado.

Disrupções na Ásia e Pacífico
A ANA Holdings, no Japão, cancelou 95 voos domésticos no sábado, impactando 13.200 passageiros. A companhia, que opera a maior frota de A320 no país, priorizou rotas curtas para minimizar atrasos.
Na Índia, a Air India atualizou mais de 40% de sua frota afetada, sem cancelamentos, mas com realocação de horários. A IndiGo, maior operadora local, suspendeu vendas de bilhetes para A320 até completar as modificações, conforme ordem da Diretoria Geral de Aviação Civil.
Scoot, subsidiária da Singapore Airlines, corrigiu 21 de 29 aviões e planeja retomar operações plenas no sábado. A região, dependente de jatos narrow-body para redes de curta distância, registrou os maiores volumes de grounding inicial.
Efeitos na Oceania e Europa
Jetstar Airways, na Austrália, cancelou cerca de 90 voos após identificar 34 aeronaves necessitando de correção. Até as 15h30 locais, 20 unidades estavam prontas para serviço, com o restante previsto para a noite de sábado.
A Qantas, controladora da Jetstar, detém 65% do mercado doméstico australiano, mas rivais como Virgin Australia, com apenas quatro A320, não registraram impactos. Na Europa, easyJet e Lufthansa realizaram atualizações noturnas, limitando cancelamentos a horários de pico na sexta-feira.
Wizz Air completou as modificações em toda sua frota afetada durante a madrugada, garantindo voos normais no sábado. Avianca, na Colômbia, suspendeu vendas de passagens até 8 de dezembro devido a mais de 70% de sua frota envolvida.
Origem do problema e medidas preventivas
Um voo da JetBlue em 30 de outubro, de Cancún a Newark, experimentou um evento de descida não comandada, resultando em pouso de emergência em Tampa, Flórida. Pelo menos 15 passageiros foram atendidos em hospitais, e o incidente ativou o autopilot sem perda significativa de altitude.
A Airbus atribuiu a falha a uma versão específica de software vulnerável a flares solares, fenômeno cíclico com pico em 2025, segundo a NOAA. A correção envolve reversão de software em 90% dos casos, com hardware novo para cerca de 900 unidades mais antigas.
O CEO da Airbus, Guillaume Faury, postou em rede social reconhecendo os desafios logísticos e o compromisso com a segurança. A empresa colabora com autoridades para acelerar a implementação, evitando voos comerciais até a conformidade.
Operações em outros mercados
Latam Airlines, na América do Sul, reportou aviões parados em aeroportos como El Dorado, em Bogotá, aguardando técnicos. A companhia priorizou voos de reposicionamento sem passageiros para centros de manutenção.
Frontier e Spirit Airlines, nos EUA, avaliaram frotas menores e preveem impactos limitados, com comunicações diretas a passageiros afetados. Hawaiian Airlines confirmou ausência de aeronaves A320 em sua operação.
Na Arábia Saudita, Flyadeal beneficiou-se do timing noturno da diretiva para evitar picos de tráfego. Jazeera Airways e Air Arabia, no Oriente Médio, registraram grounding temporário, mas sem cancelamentos em massa.
Expectativas para o feriado
Com o Domingo de Ação de Graças previsto como o dia mais movimentado, as companhias americanas reforçam equipes em aeroportos principais. A FAA monitora o cumprimento, permitindo ferry flights vazios para reparos.
Globalmente, o recall representa uma das maiores ações de frota na história da Airbus, superando incidentes anteriores em escala. Analistas destacam a resposta ágil das operadoras, que reverteram software em menos de 24 horas na maioria dos casos.
A indústria aeronáutica reforça inspeções em sistemas fly-by-wire, sensíveis a interferências externas como radiação solar. Passageiros são orientados a verificar status de voos diretamente com as companhias.

