Tragédia no Cefet: Servidor Mata Colegas e Suicida-se no Rio de Janeiro

A tarde de sexta-feira, 28 de novembro de 2025, foi marcada por uma tragédia no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), no Maracanã, Rio de Janeiro. Um servidor, João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves, de 47 anos, abriu fogo contra duas colegas de trabalho, a professora Allane de Souza Pedrotti Matos e a psicóloga Layse Costa Pinheiro, ambas da Diretoria de Ensino. Após o ataque, Gonçalves cometeu suicídio. A violência chocou a comunidade acadêmica e levantou questões sobre o ambiente de trabalho e a saúde mental. As vítimas foram prontamente socorridas, mas não resistiram aos ferimentos.

O Ataque e as Vítimas

O incidente ocorreu por volta das 15h50, quando João Antônio entrou na Diretoria de Ensino e efetuou os disparos. Allane foi atingida na cabeça e no ombro, enquanto Layse sofreu ferimentos na cabeça e no tórax. O Corpo de Bombeiros foi acionado imediatamente, mas as vítimas chegaram ao Hospital Municipal Souza Aguiar em estado grave, vindo a falecer pouco depois.

Testemunhas relataram que Gonçalves chegou à instituição pela manhã e interagiu normalmente com outros servidores antes do ataque. A Polícia Militar isolou a área, e a Delegacia de Homicídios da Capital assumiu a investigação para apurar os motivos do crime.

Perfil das Vítimas

Allane de Souza Pedrotti Matos era doutora em Letras pela PUC-RJ, com estudos na Universidade de Copenhagen, na Dinamarca. Ela ingressou no Cefet como servidora concursada no setor de apoio ao estudante e avançou para coordenadora da Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino, atuando em assessoria pedagógica nos oito campi da instituição no estado. Além de sua carreira acadêmica, Allane era cantora, instrumentista e compositora de samba, participando de rodas tradicionais no Renascença Clube.

Layse Costa Pinheiro atuava como psicóloga escolar no Cefet desde 2017. Sua função incluía atendimentos individuais e coletivos para estudantes e servidores, com foco em saúde mental no ambiente educacional. Ela foi aprovada em primeiro lugar no concurso para o cargo e mantinha um consultório particular paralelo ao trabalho público.

Histórico de Conflitos e Tensão

João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves estava afastado do trabalho há cerca de 60 dias por questões psiquiátricas e havia retornado recentemente, o que gerou divergências administrativas. Ele coordenou a área pedagógica entre 2019 e 2020, mas acumulou licenças médicas sucessivas, motivo de atrito com a equipe da Diretoria de Ensino. Relatos de colegas indicam que ele demonstrava hostilidade, especialmente em relação a mulheres em posições de liderança.

Em julho de 2025, Gonçalves ajuizou uma ação contra a União por indenização de assédio moral, alegando pressões no trabalho. A Justiça Federal extinguiu o processo por falta de mérito, considerando a autonomia administrativa do Cefet.

Medo e Preocupação

Allane expressava receio em relação a Gonçalves há meses. Amigos relataram que ela optou por trabalhar em casa para evitar compartilhar o mesmo espaço na diretoria. Quando Gonçalves retornou ao trabalho presencial, Allane solicitou uma realocação imediata. Uma funcionária relatou sentir-se perseguida por ele, escapando do incidente por ter saído 30 minutos antes. Outros servidores descreveram um padrão de confrontos seletivos, mais intensos com lideranças femininas.

Repercussão e Medidas Adotadas

A Direção-Geral do Cefet decretou luto oficial de cinco dias, a partir de 1º de dezembro de 2025. As atividades na unidade Maracanã foram suspensas até 5 de dezembro para oferecer apoio psicológico a estudantes e servidores. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro manifestou solidariedade, destacando a importância de priorizar a paz e o respeito nas instituições de ensino e condenando a violência no ambiente acadêmico.

Alunos e ex-alunos prestaram homenagens nas redes sociais, destacando a importância de Allane e Layse em suas vidas. O Renascença Clube emitiu um comunicado lamentando a perda de Allane como artista, enfatizando sua voz e dedicação ao samba.

Legado e Próximos Passos

Allane priorizava a maternidade e se orgulhava de suas origens humildes no Morro do Pinto. Seu legado inclui a persistência em múltiplas frentes: acadêmica, artística e familiar, inspirando colegas a valorizarem suas qualificações além de aparências. Layse, por sua vez, impactava diretamente o bem-estar de centenas de jovens no Cefet, promovendo intervenções preventivas em saúde mental.

A Polícia Civil continua realizando perícias no local para reconstruir a sequência dos eventos. A arma utilizada por Gonçalves foi apreendida, e depoimentos de testemunhas estão sendo colhidos pela Delegacia de Homicídios. O Cefet planeja reforçar os protocolos de segurança nas unidades, e discussões internas sobre mediação de conflitos e suporte psicológico para servidores ganharão urgência.

Conclusão

A tragédia no Cefet deixou uma marca profunda na comunidade acadêmica e reacendeu debates sobre a importância da saúde mental e da segurança no ambiente de trabalho. As medidas que serão implementadas visam prevenir futuras ocorrências e garantir um ambiente mais seguro e acolhedor para todos. A memória de Allane e Layse será honrada através do compromisso contínuo com a promoção da educação, da cultura e do bem-estar na instituição.

FAQ

1. Quais foram as vítimas fatais do ataque no Cefet?

As vítimas fatais foram a professora Allane de Souza Pedrotti Matos e a psicóloga Layse Costa Pinheiro, ambas da Diretoria de Ensino do Cefet.

2. Qual era a situação do autor dos disparos antes do ataque?

O autor dos disparos, João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves, estava afastado do trabalho há cerca de 60 dias por questões psiquiátricas e havia retornado recentemente. Ele tinha histórico de conflitos no ambiente de trabalho e havia ajuizado uma ação por assédio moral contra a União, que foi extinta pela Justiça Federal.

3. Quais medidas o Cefet está tomando após o incidente?

O Cefet decretou luto oficial, suspendeu as atividades na unidade Maracanã, está oferecendo apoio psicológico a estudantes e servidores, planeja reforçar os protocolos de segurança e intensificar as discussões sobre mediação de conflitos e suporte psicológico para servidores.

4. Onde buscar apoio psicológico?

Se você ou alguém que você conhece precisa de apoio psicológico, procure ajuda profissional. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e prevenção do suicídio de forma gratuita e confidencial, 24 horas por dia. Você pode entrar em contato pelo telefone 188 ou acessar o site www.cvv.org.br.

Se você se sente inspirado pela história de Allane e Layse, compartilhe este artigo para aumentar a conscientização sobre a importância da saúde mental e da segurança no ambiente de trabalho.