Autoridades de Hong Kong confirmaram nesta sexta-feira (28) que o incêndio ocorrido no complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, resultou em 128 mortes. O fogo começou na tarde de quarta-feira (26) em andaimes externos de um dos prédios e se espalhou rapidamente para sete das oito torres de 32 andares. Equipes de resgate enfrentaram altas temperaturas e fumaça densa, o que dificultou as operações de evacuação e busca.
Cerca de 200 pessoas permanecem desaparecidas, enquanto 79 ficaram feridas, incluindo 11 bombeiros. O incidente, o mais letal em décadas na região, afetou um conjunto habitacional com cerca de 2 mil apartamentos, lar de muitas famílias de baixa renda.
- Mais de 900 residentes foram evacuados para abrigos temporários próximos, como o Kwong Fuk Community Hall.
- Voluntários distribuíram alimentos, roupas e suprimentos essenciais em turnos ininterruptos.
- O governo local ativou uma linha direta para registro de desaparecidos e inquéritos sobre feridos.
O complexo Wang Fuk Court, construído em 1983 como parte do programa de habitação subsidiada, abrigava predominantemente idosos e aposentados.
Propagação acelerada pelas obras em andamento
O incêndio iniciou por volta das 14h51 no bloco Wang Cheong House, durante reformas na fachada externa. Materiais como redes de proteção e andaimes de bambu, comuns na construção local, facilitaram a disseminação das chamas entre os edifícios conectados.
Especialistas em segurança contra incêndios apontam que as telas verdes e plásticos inflamáveis usados nas obras contribuíram para o avanço rápido do fogo.
- Redes de proteção verde cobriam as torres para conter detritos.
- Andaimes de bambu ligavam blocos adjacentes, formando uma ponte para as labaredas.
- Temperaturas internas atingiram níveis extremos, colapsando estruturas em minutos.
Autoridades investigam se os materiais atendiam padrões de resistência ao fogo, exigidos em projetos públicos.

Resgate sob condições extremas
Bombeiros classificaram o sinistro como alarme nível 5, o segundo desde 1997 na região. Equipes de mais de 300 profissionais trabalharam por mais de 36 horas para extinguir focos remanescentes nas partes superiores das torres.
Um bombeiro de 37 anos, Ho Wai-ho, morreu durante as operações iniciais, vítima de queimaduras graves. Outros 11 colegas sofreram lesões por inalação de fumaça e quedas de andaimes instáveis.
As buscas casa por casa revelaram 108 corpos no local, com 39 identificados até agora. Familiares aguardam em centros de apoio, consultando fotos de resgatados para localizar parentes.
Drones e câmeras térmicas auxiliaram na detecção de sobreviventes, mas o colapso de escadas e elevadores complicou o acesso a andares altos.
Prisões marcam investigação inicial
Três indivíduos ligados à empreiteira Prestige Construction & Engineering foram detidos sob suspeita de homicídio culposo. A empresa respondia pelas reformas no complexo, avaliadas em cerca de 42 milhões de dólares.
O secretário de Segurança, Tang Ping-keung, anunciou a formação de uma força-tarefa anticorrupção para examinar contratos e licenças das obras.
Relatos de residentes indicam que alarmes de incêndio não soaram, forçando vizinhos a alertarem porta a porta. O Departamento de Bombeiros planeja revisar normas para sistemas de alerta em prédios em reforma.
- Dois diretores da construtora e um consultor foram interrogados.
- Materiais externos falharam em testes de inflamabilidade preliminares.
- O governo suspendeu contratos semelhantes até conclusão da apuração.
Histórico de riscos em construções locais
Hong Kong registra o uso de andaimes de bambu desde a era da Grande Muralha chinesa, uma prática que persiste em 80% das obras civis na região. Em março deste ano, o executivo local determinou que metade dos novos projetos públicos adotasse estruturas de metal para elevar a segurança.
No entanto, o Wang Fuk Court ainda empregava o método tradicional, o que expôs vulnerabilidades em edifícios densamente povoados. O último incêndio comparável ocorreu em 2008, no Cornwall Court, com 60 vítimas.
Autoridades estimam que o fogo de 1996, no Garley Building, com 41 mortes, compartilhe semelhanças na propagação vertical. Esse padrão reforça a necessidade de atualizações em códigos de construção para moradias subsidiadas.
O Observatório de Hong Kong havia emitido alerta de risco de incêndio devido ao tempo seco na data do sinistro, fator que agravou a combustão inicial.
Apoio comunitário mobilizado
Centenas de voluntários se organizaram em praças próximas ao complexo para coordenar doações de itens básicos, como fraldas, noodles instantâneos e água potável. Grupos formaram equipes de coleta e distribuição em rodízio contínuo, montando um acampamento de suporte ao lado de um shopping local.
Escolas e igrejas vizinhas abriram portas para abrigar evacuados, fornecendo descanso e lanches leves. O Fundo de Apoio ao Wang Fuk Court, lançado pelo governo com 300 milhões de dólares de Hong Kong, aceita contribuições públicas para reconstrução.
- Doações incluem roupas de inverno e kits de higiene pessoal.
- Celebridades e empresas asiáticas anunciaram aportes para famílias afetadas.
O Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong ativou plantão para auxiliar cidadãos locais em emergência, monitorando a situação de perto.
Normas de segurança em revisão
O Departamento de Trabalho de Hong Kong revisará regulamentações sobre materiais em andaimes após e-mails de 2024 minimizarem riscos de fogo em obras sem chamas abertas. Especialistas internacionais, como da Associação Nacional de Proteção contra Incêndios dos EUA, criticam o uso de sprinklers ineficazes contra chamas externas.
O presidente chinês Xi Jinping instruiu esforços totais para minimizar perdas adicionais, conforme comunicado oficial. Campanhas eleitorais locais pausaram até segunda ordem, priorizando o socorro.
Autoridades planejam auditorias em outros complexos semelhantes para identificar falhas em sistemas de detecção e evacuação.


