Porta-aviões americano USS Gerald R. Ford recebe secretário Hegseth em meio a tensões com regime Maduro

Foto: USS Gerald R. Ford – Fotogenix/ Shutterstock.com

Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, desembarcou no porta-aviões USS Gerald R. Ford em 27 de novembro de 2025, posicionado no mar do Caribe. A visita ocorre durante a Operação Southern Spear, iniciativa do governo Donald Trump para combater o narcotráfico transnacional. O navio, o maior e mais avançado da Marinha americana, integra um grupo de ataque com destróieres e caças F-18.

Desde setembro, forças americanas executaram 21 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas, resultando em 83 mortes confirmadas. Maduro, presidente da Venezuela, denuncia a presença naval como manobra política para forçá-lo a renunciar. Washington nega interferência direta e enfatiza o foco em redes criminosas.

O grupo de ataque inclui os destróieres USS Winston S. Churchill, USS Mahan e USS Bainbridge, além de bombardeiros B-52. A mobilização soma cerca de 12 mil militares em 12 navios na região.

Composição do grupo de ataque

O USS Gerald R. Ford acomoda até 5 mil tripulantes e 90 aeronaves, incluindo helicópteros de ataque. Hegseth elogiou a prontidão das tropas durante a inspeção, destacando o uso de sistemas autônomos em missões.

A formação naval opera em coordenação com aliados regionais, como Trinidad e Tobago, que receberam o destróier USS Gravely em outubro. Esses recursos visam interceptar rotas marítimas usadas por cartéis sul-americanos.

Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos
Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos – Joshua Sukoff/ Shutterstock.com

Acusações contra o Cartel de los Soles

O governo Trump designou o Cartel de los Soles como organização terrorista em novembro de 2025. Autoridades americanas atribuem a liderança do grupo a Maduro e altos funcionários venezuelanos, com foco em exportação de narcóticos para os EUA.

A recompensa pela captura de Maduro dobrou para US$ 50 milhões em agosto. Especialistas questionam evidências públicas sobre a existência do cartel, mas Washington cita operações que bloquearam toneladas de cocaína.

A classificação impõe sanções adicionais e abre opções para ações militares ampliadas. Venezuela negou as alegações e classificou a medida como invenção.

O Pentágono relata que os ataques desde setembro apreenderam mais de 10 toneladas de drogas.

Histórico de mobilizações navais americanas

Em 18 de setembro de 2025, o grupo de ataque partiu de Norfolk, Virgínia, rumo ao Caribe, após passagem pela costa da Croácia. Essa é a maior presença naval dos EUA na região em décadas, superando operações de 1989 contra o narcotráfico.

O navio transitou pelo Anegada Passage em 17 de novembro, próximo às Ilhas Virgens Britânicas. Bombardeios iniciais atingiram 10 barcos venezuelanos no Caribe e Pacífico oriental.

Trump mencionou discussões potenciais com Maduro, sem detalhes sobre datas ou termos. A oposição venezuelana, liderada por María Corina Machado, apoia a estratégia como correta contra o crime organizado.

Exercícios conjuntos com Panamá reativam treinamentos em selva, envolvendo 15 mil fuzileiros.

Resposta de Caracas à presença americana

Maduro mobilizou forças armadas em 15 de outubro de 2025, distribuindo 5 mil sistemas Igla-S de fabricação russa. O regime reforçou defesas aéreas com equipamentos de Pantsir-S1 e Buk-M2E, solicitados a Moscou.

Em 22 de outubro, Caracas alertou sobre posições antiaéreas para garantir estabilidade. O presidente apelou em inglês contra uma guerra, dizendo “no crazy war, please”.

Rússia condenou os ataques em águas internacionais e enviou aviões com radares defensivos. Irã e China oferecem assistência em reparos de aeronaves e mísseis.

Autoridades venezuelanas acusam Washington de planejar agressões sob pretexto antidrogas.

Detalhes operacionais da Operação Southern Spear

Lançada em meados de novembro de 2025, a operação incorpora robótica para rastrear embarcações. Hegseth anunciou o início em visita à República Dominicana, consultando líderes regionais.

Cerca de 5 mil militares baseiam-se em Porto Rico, com fuzileiros em navios anfíbios. Exercícios com Trinidad e Tobago focam em crimes violentos e tráfico, com segunda rodada em novembro.

O Pentágono estima que as ações reduziram o fluxo de drogas em 30% nas rotas caribenhas. Maduro respondeu com comitês de bairro para fortalecer o partido socialista.

  • Interceptações: 21 ataques, 83 óbitos, 10 toneladas de drogas apreendidas.
  • Recursos: 12 mil tropas, 12 navios, 90 aeronaves.
  • Aliados: Trinidad e Tobago, Panamá, Porto Rico.

Posicionamento regional e sanções

Países caribenhos, como Barbados, solicitaram notificações prévias para operações americanas via Caricom. Symmonds, chanceler de Barbados, enfatizou coordenação para evitar incidentes.

Em outubro, Maduro ameaçou retaliação contra Trinidad por cooperação com os EUA. Persad-Bissessar defendeu ações violentas contra traficantes.

Sanções de Washington incluem bloqueio de ativos do Cartel de los Soles. O Departamento de Justiça relata que Maduro lidera exportações de narcóticos desde 2014.

A CIA autorizou operações especiais em território venezuelano em outubro, sem especificar alvos. Pete Hegseth, durante a visita, reforçou que as missões protegem a pátria americana sem intenções de invasão.