Guerra no Alemão e Penha deixa 4 policiais mortos e 60 traficantes abatidos no Rio de Janeiro; sem registro de inocentes até o momento

Policiais Mortos

Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho e Rodrigo Velloso Cabral — Foto: Reprodução

Quatro policiais morreram e outros seis ficaram feridos em uma megaoperação policial contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28). A ação, deflagrada pela manhã, mobilizou 2.500 agentes das polícias Civil e Militar para cumprir 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão. O objetivo era conter a expansão da facção em 26 comunidades da região, após investigações de mais de um ano pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

A operação resultou em 60 homens apontados como traficantes mortos, elevando o total de óbitos para 64, o maior registro em ações policiais no estado. Autoridades confirmaram 81 prisões, incluindo líderes da facção. Criminosos responderam com bombas lançadas por drones e barricadas incendiadas.

  • Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51 anos, chefe de investigação da 53ª DP (Mesquita);
  • Rodrigo Velloso Cabral, 34 anos, da 39ª DP (Pavuna);
  • Cleiton Serafim Gonçalves, 40 anos, do Batalhão de Operações Especiais (Bope);
  • Heber Carvalho da Fonseca, 39 anos, também do Bope.
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Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho e Rodrigo Velloso Cabral Policiais Mortos— Foto: Reprodução

Entre os capturados, destacam-se Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, chefe no Morro do Quitungo, e Nicolas Fernandes Soares, operador financeiro ligado a Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso. A polícia apreendeu 42 fuzis e isolou áreas de mata onde suspeitos fugiram em formação.

Agentes mobilizados e logística da ação

Cerca de 2.500 policiais, incluindo unidades do Comando de Operações Especiais (COE), entraram nos complexos com 32 blindados, 12 veículos de demolição, dois helicópteros e drones para monitoramento. O governador Cláudio Castro classificou a operação como a maior da história do estado, cobrindo 9 milhões de metros quadrados, equivalente a duas vezes o tamanho de Copacabana.

Promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro acompanharam as incursões para garantir o cumprimento legal dos mandados. A área abrange 280 mil moradores, e vias como a Linha Amarela foram bloqueadas durante o confronto.

Um delegado da DRE foi baleado e submetido a cirurgia no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, em estado gravíssimo. Três civis, vítimas de balas perdidas, foram socorridos no mesmo local, com uma mulher atingida de raspão em uma academia e já liberada.

Perfil dos policiais vítimas

Os agentes mortos atuavam em unidades especializadas e participavam de investigações contra o tráfico. Marcus Vinícius, conhecido como Máskara, assumira recentemente a chefia na 53ª DP e liderava buscas por armas. Rodrigo Velloso integrou a equipe de repressão na Pavuna, focada em entorpecentes.

Cleiton Serafim e Heber Carvalho, ambos do Bope, foram atingidos em incursões na parte alta do Alemão, onde o terreno irregular favorece emboscadas. Seus colegas descreveram os quatro como profissionais experientes em operações de alto risco.

A Polícia Civil presta apoio às famílias e investiga as circunstâncias dos tiros. Outros feridos incluem um cabo do Bope baleado na perna e três policiais civis de delegacias vizinhas.

Resposta armada dos criminosos

Suspeitos lançaram explosivos via drones no Complexo da Penha, forçando a dispersão de equipes policiais. Barricadas com veículos incendiados bloquearam acessos, semelhantes a táticas usadas em 2010 durante a ocupação do Alemão.

Fugitivos se deslocaram em fila indiana por trilhas na Vila Cruzeiro, área de mata densa. Autoridades monitoraram o movimento com helicópteros e drones, resultando em mais prisões.

Cinco baleados entre os detidos foram internados sob custódia no Hospital Getúlio Vargas. A facção emitiu alertas em redes sociais para retaliações, ordenando bloqueios em vias da Zona Norte e Oeste.

Investigações que antecederam o confronto

A DRE coletou provas por 14 meses, identificando rotas de tráfico de drogas e armas para comunidades como Gardênia Azul e Juramento. Edgar Alves de Andrade, o Doca, emergiu como alvo principal, controlando operações em múltiplas favelas.

Documentos apreendidos revelam ligações com fornecedores de outros estados. A operação visa desarticular a estrutura financeira do CV, que movimenta valores altos em entorpecentes.

Agentes encontraram munições e explosivos em residências durante as buscas. O Ministério da Justiça mantém apoio via Força Nacional até dezembro de 2025, com possibilidade de prorrogação.

Impactos na população local

Escolas suspenderam aulas em 49 unidades nos complexos, afetando milhares de alunos. A Secretaria Municipal de Educação relatou fechamentos preventivos para evitar riscos durante os tiroteios.

Ônibus desviaram rotas, com 12 linhas alteradas pela Rio Ônibus. Unidades de saúde priorizaram emergências, registrando alta demanda por ferimentos leves entre moradores.

O Centro de Operações Rio ativou o Estágio 2 de alerta às 13h48, monitorando interdições em nove vias. Trânsito na Zona Norte registrou lentidão até o fim da tarde.

Apreensões e avanços táticos

Polícias confiscaram 42 fuzis, além de pistolas e munições em esconderijos. Um dos alvos, uma mansão ligada a Belão, continha itens de luxo e documentos financeiros.

Drones policiais mapearam rotas de fuga, permitindo cercos rápidos. Veículos de demolição removeram barricadas, facilitando o avanço das equipes.

O balanço preliminar indica cumprimento de 70% dos mandados, com foco contínuo em lideranças remanescentes. A ação integra a Operação Contenção, iniciativa permanente contra expansões faccionais.

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