Bandeira dos EUA, avião – Foto: Oselote/istock
Aeroportos em todo o território americano enfrentaram mais de 13 mil atrasos de voos nos últimos dois dias, decorrência direta das ausências de controladores de tráfego aéreo no 27º dia da paralisação parcial do governo federal. A Administração Federal de Aviação (FAA) registrou problemas de pessoal em 22 instalações no sábado, o que elevou os números de atrasos para cerca de 5.300 no dia 25 e mais de 8.000 no domingo, 26 de outubro. O secretário de Transportes, Sean Duffy, alertou que a situação piora à medida que os profissionais, cerca de 13 mil, trabalham sem remuneração desde o início do impasse orçamentário em 1º de outubro.
Os controladores de tráfego aéreo, classificados como essenciais, mantêm as operações, mas o estresse acumulado e a falta de pagamento parcial a partir de 28 de outubro impulsionam as faltas. A FAA implementou programas de atraso em solo em aeroportos como O’Hare, em Chicago, e Reagan National, em Washington, para garantir a segurança. Passageiros em hubs como Los Angeles e Newark enfrentaram interrupções temporárias, com voos retidos por até uma hora.
- Aproximadamente 44% dos atrasos no domingo ligaram-se diretamente a ausências de controladores, contra 5% em condições normais.
- O sistema já opera com déficit de 3.500 profissionais, agravado por horas extras obrigatórias.
- Companhias aéreas recomendam verificação de status de voos antes de viagens.
Escassez de pessoal atinge recordes em instalações chave
A FAA identificou 22 “gatilhos” de escassez no sábado, um dos maiores números desde o início da paralisação. Esses alertas ativam reduções no fluxo de tráfego para evitar sobrecarga.
Em Los Angeles, uma instalação regional parou temporariamente, afetando chegadas e partidas na área sul da Califórnia. O incidente durou menos de uma hora, mas propagou atrasos para rotas conectadas.
Controladores buscam empregos secundários para suprir a renda perdida, o que reduz a disponibilidade em turnos noturnos e de fim de semana.
Medidas da FAA para mitigar o caos aéreo
Programas de atraso em solo foram aplicados em Chicago, Washington e Newark no domingo. Esses mecanismos seguram voos de origem para aliviar a pressão em destinos com baixa capacidade.
A agência monitora 264 incidentes de pessoal desde 1º de outubro, com foco em turnos críticos. Treinamentos na academia de controladores enfrentam risco de interrupção por falta de fundos.
- Redução de voos em 20% em áreas afetadas para manter margens de segurança.
- Coordenação com companhias para rerroteamento de aeronaves.
- Alertas diários a passageiros via aplicativos de rastreamento.
Aeroportos mais impactados pelo shutdown
O Aeroporto Internacional de Los Angeles registrou uma parada total em uma torre auxiliar, forçando redirecionamento para centros próximos. Atrasos médios chegaram a 45 minutos em chegadas.
Em Newark Liberty, na Nova Jersey, escassez noturna elevou o tempo de espera para decolagens em 50 minutos. O hub, que processa milhares de voos diários, viu 30% de suas operações afetadas.
Chicago O’Hare, um dos mais movimentados do país, operou com equipe reduzida por nove horas no domingo. A FAA cortou chegadas em 15% para compensar.
Phoenix Sky Harbor e Houston também reportaram gatilhos, com impactos em rotas domésticas curtas. Denver International enfrentou 40 minutos de atraso médio em chegadas.
Histórico de paralisações e lições passadas
Durante o shutdown de 2019, que durou 35 dias, ausências de controladores subiram 20%, levando a 10 mil atrasos em uma semana. A pressão pública acelerou o fim do impasse.
Agora, o cenário repete-se mais cedo, com 53% dos atrasos ligados a faltas em picos recentes. A National Air Traffic Controllers Association enfatiza que o sistema opera no limite, sem ações coordenadas de greve.
O déficit crônico de 3.500 vagas exige contratações urgentes, pausadas pela paralisação. Estudantes na academia FAA podem abandonar cursos por falta de pagamento.
Agentes da TSA, 50 mil no total, também enfrentam filas maiores em checkpoints, somando ao estresse operacional. A combinação agrava o fluxo em horários de pico.
Expectativas para os próximos dias de operação
Mais de 1.600 atrasos ocorreram até o meio-dia de segunda-feira, 27 de outubro, com tendência de alta. Duffy previu cancelamentos se as ausências persistirem.
A FAA planeja redistribuição de controladores entre regiões, mas o cansaço acumulado limita a eficácia. Rotas para o feriado de Ação de Graças, em novembro, preocupam autoridades.
- Monitoramento 24 horas em 10 hubs principais para intervenções rápidas.
- Parcerias com associações de aviação para atualizações em tempo real.
- Recomendação de flexibilidade em itinerários para viajantes.
Passageiros relatam frustrações em conexões perdidas, mas a segurança permanece prioridade. O Congresso discute medidas emergenciais para liberar fundos parciais.


