3I/ATLAS, terceiro objeto extrasolar, pode se desintegrar no periélio de outubro

Astrônomos do sistema ATLAS detectaram o cometa interestelar 3I/ATLAS em 1º de julho de 2025, no observatório de Río Hurtado, no Chile. O objeto, o terceiro confirmado de origem fora do Sistema Solar, segue uma órbita hiperbólica com excentricidade superior a 5, o que confirma sua procedência interestelar.

A velocidade relativa ao Sol alcança 58 km/s, superior aos antecessores 1I/ʻOumuamua e 2I/Borisov. O cometa atingirá o periélio em 29 de outubro de 2025, a 1,4 unidade astronômica do Sol, próximo à órbita de Marte.

Essa aproximação expõe o núcleo a radiação intensa, que sublima os gelos voláteis e pode levar à fragmentação. Observações preliminares indicam atividade precoce, com emissões de gás detectadas a mais de 6 unidades astronômicas.

  • Diâmetro estimado do núcleo: entre 440 metros e 5,6 quilômetros.
  • Composição dominante: dióxido de carbono, oito vezes mais abundante que água.
  • Idade aproximada: superior a 7 bilhões de anos, mais antiga que o Sistema Solar.

Atividade inicial e emissões inesperadas

O cometa exibe coma avermelhada e alongada desde julho de 2025. Telescópios como o Nordic Optical capturaram jatos de poeira e gelo direcionados ao Sol entre julho e setembro.

Essa configuração solar-facing difere de caudas típicas e sugere ejeção de partículas pesadas, acima de centenas de micrômetros. A radiação solar impulsiona a sublimação, formando a coma de milhares de quilômetros.

Composição química revela origens distantes

Análises espectrais do Telescópio Espacial James Webb identificam dióxido de carbono, água, monóxido de carbono, sulfeto de carbonila e gelo de água na coma. A baixa abundância de vapor d’água indica possível inibição térmica no núcleo.

Essa proporção elevada de CO2 sugere formação perto da linha de gelo de dióxido de carbono em disco protoplanetário parental. Metais como níquel, detectados nas emissões, distinguem o objeto de cometas locais.

A polarização negativa extrema, inédita em cometas conhecidos, aponta para poeira fina e processos de radiação elevados durante a viagem interestelar.

Observações de missões espaciais em múltiplas frentes

A Agência Espacial Europeia e a NASA coordenam rastreamento com sondas como ExoMars Trace Gas Orbiter e Mars Express. Em outubro de 2025, as naves capturaram imagens da coma a milhares de quilômetros, sem resolução do núcleo devido à distância.

O Observatório Swift da NASA mediu produção de hidroxila a 40 kg/s, comparável a um hidrante em plena vazão, mesmo a três vezes a distância Terra-Sol. Essa taxa precoce sugere estrutura complexa, possivelmente com fragmentos de gelo se desprendendo.

Dados do SPHEREx confirmam assinatura de CO2, reforçando a atividade cometária clássica.

A sonda Juice, próxima ao Sol, usou antena de médio ganho para observações, com análise de dados prevista para fevereiro de 2026 devido à conjunção solar.

Riscos de fragmentação no periélio

A exposição a 33 gigawatts de radiação solar pode acelerar a sublimação irregular. Telescópios terrestres, como o de 2,5 metros nas Ilhas Canárias, registraram transição de anti-cauda para cauda em setembro de 2025.

Fragmentos resultantes seriam rastreáveis por surveys celestiais, ampliando dados sobre objetos interestelares. A massa estimada supera 33 bilhões de toneladas, com recoil não gravitacional indetectável.

Monitoramento global e alinhamentos recentes

Redes de telescópios garantem vigilância contínua, apesar de conjunção solar em 21 de outubro de 2025. O satélite GOES-19 observou o objeto durante o evento.

Em 27 de outubro, 3I/ATLAS alinhou-se com o Sol, cometas Lemmon e R2 SWAN, além de Vênus e K1/ATLAS. Essa configuração facilita estudos de interações dinâmicas.

O objeto não representa ameaça à Terra, com aproximação mínima de 1,8 unidade astronômica em dezembro de 2025.

Trajetória pós-periélio e legado científico

Após o periélio, o cometa acelerará para saída do Sistema Solar. Observações pós-evento em dezembro de 2025 fornecerão indícios finais sobre sua integridade.

A baixa atividade de água pode indicar barreiras térmicas internas, suprimindo sublimação relativa ao CO2. Esses dados reescrevem modelos de formação em sistemas exoplanetários.

Estudos com Hubble e Gemini revelam ejeção de poeira fina, compatível com exposição a radiação interestelar prolongada.

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