8 de Março: Presença de mulheres cresce 24,91% e muda cenário da construção civil em Goiás

Redação
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8 de Março: Presença de mulheres cresce 24,91% e muda cenário da construção civil em Goiás

Ocupando espaços de decisão e liderando equipes, mulheres provam que o gênero não limita a competência técnica

Imagem das profissionais

Elas provam que o futuro da engenharia é diverso e estratégico (Foto: divulgação MRV)

Inglid Martins

O canteiro de obras em Goiás, tradicionalmente dominado por homens, registrou mudança em 2025. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a presença feminina na construção civil aumentou 24,91% de 2024 para o ano passado. Neste 8 de Março, o Mais Goiás conta a história de mulheres que ocupam postos em um ambiente antes restrito ao público masculino.

O setor da construção civil no território goiano encerrou 2025 com um estoque sólido de 102.020 empregos formais, apresentando uma variação positiva de 4,56% no ano. No entanto, o dado que mais chama a atenção é o recorte de gênero: enquanto o mercado geral cresce a passos constantes, a inserção feminina acelera. O saldo de mulheres (diferença entre contratadas e desligadas) saltou de 851 em 2024 para 1.063 em 2025.

Essa mudança estatística é refletida na rotina de profissionais como Paula Gomes da Silva Gomides, de 26 anos. Engenheira civil, ela relata que o cenário se transformou desde que iniciou na área, há oito anos, quando a presença de mulheres em obras era escassa.

“Com o tempo, esse cenário mudou. Hoje em nossa regional Goiânia/Anápolis/Aparecida de Goiânia, somos maioria”, afirma. Atualmente, ela é a responsável pela obra Gran Porto, na capital, onde lidera uma equipe de 16 pessoas, sendo 10 delas mulheres. Para a profissional, o volume de contratações indica uma evolução nas oportunidades e composição do time.

Desafios no canteiro de obras

Gerir grandes projetos de engenharia em um cenário de forte crescimento do mercado imobiliário traz desafios relacionados ao planejamento, prazos e gestão de pessoas. Gabriela Miranda de Morais, de 31 anos, atua como coordenadora de obras e ressalta que o setor passa por uma transformação importante. “Ver hoje um crescimento da presença feminina nesses cargos em Goiás mostra que o setor está passando por uma transformação importante”, destaca.

Sobre a dinâmica de comandar equipes majoritariamente masculinas no ambiente de canteiros, Gabriela reforça que a autoridade é construída tecnicamente. “A dinâmica da liderança está muito mais relacionada à postura, clareza nas decisões e respeito mútuo do que ao gênero em si”, explica. Ela observa que a confiança da equipe é conquistada com presença constante no campo e coerência nas decisões.

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Gabriela Miranda e Paula Gomes provam que o futuro da engenharia é diverso e estratégico (Foto: MRV)

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Superando barreiras culturais

Apesar do avanço, o setor ainda carrega uma cultura historicamente masculina. Gabriela relata que já enfrentou situações de preconceito, muitas vezes de forma sutil ou velada. “Isso normalmente aparece em forma de questionamentos iniciais ou certa surpresa ao ver uma mulher em posição de liderança no canteiro de obras”, revela.

Para superar essas barreiras, a estratégia tem sido a excelência. “Aprendi que a melhor forma de lidar com essas situações é por meio de postura profissional, conhecimento técnico e consistência nas decisões”. Ela acredita que equipes diversas trazem ganhos em organização de processos e ambiente de trabalho. Na regional de Goiás da MRV, onde as entrevistadas atuam, as mulheres já ocupam 60% dos cargos de liderança.

Habilidades e perspectivas futuras

Na visão de quem está no comando, as mulheres trazem contribuições específicas para a engenharia, especialmente em organização e comunicação. Em ambientes complexos, onde várias frentes de trabalho ocorrem simultaneamente, ter uma visão estruturada dos processos é vital para o andamento da obra.

“Hoje vemos muitas mulheres trazendo preparo técnico, visão de gestão e disciplina na execução, o que impacta diretamente na qualidade das entregas”, analisa Gabriela. Para o futuro, a mensagem para as estudantes de engenharia é de otimismo: “a presença feminina na engenharia não é mais uma exceção — ela está se tornando parte natural da transformação e do futuro da construção civil”.

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