5 coisas que seu médico gostaria que você soubesse sobre câncer colorretal – UOL

Redação
8 Min Read
5 coisas que seu médico gostaria que você soubesse sobre câncer colorretal – UOL

1 – Este câncer é mais comum do que você imagina

No Brasil, ele ocupa o terceiro lugar no ranking dos tumores mais frequentes (quando não consideramos os de pele não melanoma) entre homens e mulheres, e as regiões Sul e Sudeste apresentam o maior número de casos. Nos Estados Unidos, ele é a segunda causa de mortalidade na população.

Para o aparecimento de cânceres, em geral, quanto mais velho se fica, maior é a probabilidade de ter algum tipo de doença. No caso do câncer colorretal, a idade média para a sua ocorrência é 65 anos.

Apesar disso, tem sido observado um aumento progressivo de diagnósticos, especialmente entre pacientes com menos de 50 anos (1 em cada 5). E os casos entre adultos jovens (28 a 30 anos) já fazem parte da rotina médica. As informações são de Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C. Camargo Cancer Center.

2 – Ausência de histórico familiar não protege

A maioria dos casos de câncer de intestino não tem relação com herança familiar — ou seja, qualquer pessoa pode desenvolver a doença.

Continua após a publicidade

Outras condições que facilitam esse tipo de câncer: consumo de álcool, tabagismo, excesso de gordura no corpo, dietas ricas em alimentos ultraprocessados e excesso de carne vermelha.

Existem meios comprovados de se proteger: mantenha a saúde em dia por meio de atividade física, dieta rica em frutas, vegetais, fibras, grãos e sementes, além de pescados.

Ter (ou ter tido) alguém da família com a doença está na lista dos fatores que aumentam a possibilidade de a doença aparecer. Questões genéticas herdadas também podem estar envolvidas.

Síndromes hereditárias ou tumores com componente hereditário bem estabelecido decorrem de mutações em genes específicos e representam 5% a 10% dos casos.

Cerca de 20% dos cânceres colorretais estão associados ao histórico familiar, mas sem uma síndrome genética identificável.

3 – Colonoscopia não é bicho de 7 cabeças

Existe outro método de triagem mais simples para observar como anda a saúde do seu intestino – o exame que detecta sangue oculto nas fezes. No entanto, a colonoscopia é considerada padrão ouro para esse fim. Ela não serve apenas para o diagnóstico, é também preventiva.

Continua após a publicidade

O problema é que muitas vezes esse exame é adiado não por dificuldade de acesso, mas por questões como preconceito ou medo de sentir dor, desconforto ou de receber algum resultado ruim.

Como todo procedimento médico, ele não é isento de risco. Porém, a colonoscopia é tida como “muito segura, e ainda oferece um impacto claro e positivo de redução da mortalidade, o que se vê em poucos outros exames de rastreamento dentro da oncologia”, esclarece Duílio Reis da Rocha Filho, oncologista clínico e coordenador do Comitê de Tumores Gastrointestinais Baixos da Sboc (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica).

Fazer o exame reduz de forma clara o risco de desenvolver a doença e a mortalidade.

O teste ainda possibilita a identificação e a retirada de eventuais lesões (pólipos adenomatosos) antes que eles evoluam para a doença.

Caso o resultado esteja dentro da normalidade, a colonoscopia só será repetida após 10 anos.

Quando o diagnóstico da doença é precoce, há mais de 90% de probabilidad de cura; a média geral de sucesso do tratamento é de 60% a 70%. Na doença avançada: 5% a 10%.

Continua após a publicidade

O tratamento da doença é cirúrgico, e pode ser indicada a quimioterapia. A depender do estágio da doença, essa estratégia pode variar.

4 – O sintoma mais comum é não ter sintoma

A recomendação das sociedades médicas de todo mundo varia, mas o rastreamento para o câncer colorretal na população geral deve ocorrer a partir dos 45 anos. Caso você tenha algum caso na família, esse exame poderá até ser feito antes, a critério médico.

Quando os exames, por algum motivo, não são feitos no tempo adequado, pode acontecer de a enfermidade progredir em silêncio. Nessas situações, os sintomas passam a depender da localização e do tamanho do tumor. Esteja de olho em:

  • Sangramento
  • Dor abdominal
  • Anemia
  • Perda de peso
  • Constipação e/ou diarreia (alterações nos hábitos intestinais)

Alexandre Palladino, chefe do setor de Oncologia Clínica do Inca, fala que esses sintomas são comuns a outras doenças, portanto nem sempre eles se relacionam a um câncer de intestino. E acrescenta: “É importante saber que a anemia pode ser a primeira manifestação do tumor e que o sangramento nas fezes é uma manifestação que merece muita atenção”.

Continua após a publicidade

Nessa hora, o melhor a fazer é buscar ajuda médica.

5 – Confiar é bom, desconfiar é melhor

Essa é a regra sugerida pelos especialistas consultados sobre como lidar com o aumento da desinformação sobre o câncer colorretal, amplificado pelas redes sociais. Algumas informações equivocadas viralizam, em nada ajudam e ainda causam prejuízos.

Um estudo observacional publicado pelo jornal médico JCO Global Oncology analisou a habilidade das pessoas reconhecerem mitos sobre as causas do câncer colorretal e concluiu que menos de 5% do grupo analisado tinha essa capacidade.

Estresse, traumas físicos, uso de microondas e vasilhames plásticos, além de consumir alimentos tostados são exemplos da lista das crenças relatadas pelos pesquisadores.

Até o momento, porém, a ciência ainda não comprovou uma relação de causa e efeito entre tais condições e o aparecimento do câncer colorretal.

Continua após a publicidade

Na dúvida, confirme se a origem de determinada informação é confiável. Se não for possível encontrar a fonte, busque por sites especializados como o do Inca ou o VivaBem UOL. E, quando possível, leve sua dúvida para ser esclarecida na próxima consulta médica.

Fontes: Alexandre Palladino, chefe do setor de Oncologia Clínica do Inca (Instituto Nacional de Câncer); Duílio Reis da Rocha Filho, oncologista clínico e coordenador do Comitê de Tumores Gastrointestinais Baixos da Sboc (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica); Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C. Camargo Cancer Center.

Share This Article